quinta-feira, 8 de maio de 2008

Meu amigo Moises indicou, em seu blog (outro rumo) este site de imagens e fui conferir. O site realmente é muito bom, com imagens lindas em diversas categorias.
Encontrei lá esta imagem abaixo que acho que combina muito com a comemoração que se aproxima, o dia das mães.
Acho que o amor de mãe é realmente algo universal.

A Alegria da Tristeza

Encontrei este texto da Martha Medeiros e, como sempre, amei!
Eu concordo totalmente com ela.
As pessoas se permitem muito pouco o sentir, principalmente quando o sentimento é a tristeza, a necessidade de introspecção.
Vale a pena ler e refletir!


A Alegria da Tristeza

Martha Medeiros

O título desse texto na verdade não é meu, e sim de um poema do uruguaio Mario Benedetti. No original, chama-se "Alegría de la tristeza" e está no livro "La vida ese paréntesis" que, até onde sei, permanece inédito no Brasil.

O poema diz que a gente pode entristecer-se por vários motivos ou por nenhum motivo aparente, a tristeza pode ser por nós mesmos ou pelas dores do mundo, pode advir de uma palavra ou de um gesto, mas que ela sempre aparece e devemos nos aprontar para recebê-la, porque existe uma alegria inesperada na tristeza, que vem do fato de ainda conseguirmos senti-la.

Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música.

Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir. Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora. Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento. Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado.

Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida. Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido.

Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada.

Triste é não sentir nada.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Mão Única

Tenho observado como certos relacionamentos – familiares, amorosos ou de amizade – ás vezes se desenvolvem baseados em uma relação de poder, onde há sempre um lado mais forte que o outro e como estes relacionamentos são complicados e ás vezes dolorosos.

Não digo que não exista afeto, amor e carinho verdadeiros, pelo contrário. Mas o fato é que relações de poder são perigosas. Aquele cuja personalidade é mais forte e dominadora, que não admite estar errado, que gosta de dar sempre a última palavra e que consegue manipular todas as situações a seu favor acaba encontrando prazer nesta situação cômoda, o que fortifica suas características.
Mas o contrário acontece com aquele cuja personalidade é mais frágil, cuja carência o leva a querer agradar e a buscar aceitação por parte do outro e, por vezes se subjuga acreditando estar evitando atritos que poderiam comprometer o relacionamento, ele se cansa e se frustra, pois, apesar de seus esforços, não percebe no relacionamento a troca que esperava.
Relacionamentos de mão única não têm futuro.

O que acaba acontecendo é uma revolta como aquelas que estudamos em História, onde a classe dominada não se subjuga mais ás ordens da classe dominadora e luta por igualdade. Claro que, neste caso, a revolta é expressa em pequenos detalhes, discussões que antes não aconteceriam, comportamentos que antes seriam evitados, palavras que antes não seriam ditas e pedidos que desculpas que, antes eram tão comuns começam a ficar escassos.

Na maioria das vezes nem chega a existir uma discussão realmente séria, e, na prática, todas as questões são resolvidas, esclarecidas, mas começa a surgir um afastamento de ambas as partes, pois um espera que o outro dê o primeiro passo, dê o braço a torcer e vice-versa. Aquele que sempre foi mais forte e dominador na relação não faz isto porque se acostumou ditar as regras e aquele que sempre foi mais frágil e mais carente também não faz isto, pois o que deseja realmente é uma mudança que o faça sentir-se valorizado.

Infelizmente, é desta maneira que morrem muitos casamentos, namoros, relações em família e amizades.

Retorno

Olá.
Depois de alguns dias de férias, retornei hoje.

Retornei ao trabalho, aos estudos, ás leituras e ao Blog!!!
Não deixem de visitar sempre minhas Paisagens da Janela e deixar seu comentário.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

O QUE É?

O que é que se passa aqui dentro e traz este sentimento de sede, de desejo sempre constante...
Quando nada nos satisfaz e nehum sabor que provamos é o sabor que procuramos
Quando nenhum lugar d mundo é aquele que nossos olhos esperavam ver
Quando nem mesmo aquele perfume caro e maravilhoso que ousamos comprar nos preenche o olfato
Quando nenhuma palavra, de nehuma pessoa é aquela palavra que nos alegra e nos acalma
Quando nenhum livro, de nenhuma categoria traz a história que gostaríamos de ler
Quando nenhuma explicação, por mais detalhada e elaborada que seja é o suficiente para explicar este comichão que nos devora...
O que é isto?
O que é que se passa aqui dentro?

sexta-feira, 28 de março de 2008

Negativismo?

O ano de 2008 trouxe-me, desde o seu primeiro dia, algumas experiências e percepções que eu bem sei, muita gente consideraria (considerará) como negativas, pessimistas.

Quanto á mim, ainda não sei definí-las.

O fato é que em 2008, tenho desacreditado de muitas coisas...
Tenho sentido que infelizmente enquanto eu estava pensando nos outros, ninguém estava pensando em mim. Então, é melhor que eu pense primeiro em mim mesma (!?!)
Tenho percebido em amigos e amigas (há excessões) de looonga data um quê de ironia, de sarcasmo, de falsidade, de satisfação em lançar suas críticas, suas respostas atravessadas... (isto para mim é frustrante, além de muito triste)
Tenho sentido que na verdade, as pessoas estão realmente sozinhas.

Pessimismo de minha parte? Realidade nua e crua? Fase momentânea?

Não sei.

Espero realmente que esta não seja a verdade, que isto que agora estou sentindo e percebendo em relação ás pessoas á minha volta esteja apenas confuso, turvo por algum motivo e que isto seja realmente uma fase momentânea após a qual, tudo voltará ao seu lugar.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Acredito que todas as pessoas tenham em sua vida, alguma coisa ou alguém que seja capaz de despertar um sorriso de satisfação e alegria em seu rosto mesmo depois de...

...Um dia horroroso no trabalho, repleto de chateações e decepções que, com certeza acabarão com seu humor por semanas.
...Ou depois de receber um email daquela pessoa chata, cheia de artimanhas da qual se está fugindo a dias.
...Ou depois de uma discussão desagradável com a mãe.
...Ou depois de concluir que as pessoas não pensam duas vezes em atrapalhar a vida do outro para conseguir vantagens pessoais.
...Ou depois de tudo isso junto...

Em minha vida existe.

Olhar imagens como estas abaixo é o suficiente para que um sorriso espontâneo e eu diria até mesmo automático se abra em meu rosto.

É incrível como um animal assim pode signifcar tanta alegria para algumas pessoas como para mim!

terça-feira, 4 de março de 2008

Quero Férias

Realmente não sei porque é tão difícil fazer as pessoas entenderem meu desejo de férias...

Quero férias de tudo que me cerca, de tudo que me é familiar, de tudo e todos para quem eu sou familiar.

Quero a liberdade de não ter obrigação nenhuma com ninguém a não ser comigo. Não precisar conversar quando eu não estiver com vontade sem a preocupação de que as pessoas pensem: Óh... me ignorou... Óh, não gosta de mim... Óh, me deixou sozinha.

Estou realmente cansada.

Quero poder dormir quando der vontade sem ter que preocupar em fazer companhia para ninguém. Quero sair quando der vontade sem ter que me preocupar se o lugar vai agradar a alguém.

Quero agradar só a mim mesma por alguns dias. Preocupar-me só comigo mesma por alguns dias. Esqecer-me e ser esquecida por alguns dias.

Quero paz.

Será que isto é muito? Será que isto é algo tão estranho que as pessoas não possam compreender?

Hunf!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Tudo -- inclusive o ano -- passa

Escrito por Ailin Aleixo,


A capacidade de esquecer é o que existe de mais precioso sobre a face da terra, sob as nossas faces. Amar é indubitavelmente mais magnânimo, mas não é tão essencial quanto o esquecimento: é ele que nos mantém vivos. O amor torna a paisagem mais bonita, mas é o bálsamo curativo do esquecimento que nos faz ter vontade de abrir os olhos para vê-la. A paixão empresta um sentido quase mítico aos dias, mas é esquecer da excruciante tristeza perante a morte dela que nos torna aptos para nos encantarmos novamente dali a pouco.

Já esqueci amores inesquecíveis e sobrevivi a paixões que, tinha convicção, me aniquilariam se terminassem. Às vezes cruzo na rua com fantasmas que já foram muito vivos na minha história e não deixo de sentir uma certa melancolia por perceber que aquele rosto um dia pleno de significado se tornou tão relevante quanto um outdoor de pasta de dente. Algumas pessoas são apagadas da memória como filmes desimportantes. Sem maldade o intenção; apenas esmaecem até desaparecer. Mas é mesmo impossível nos lembrar de todos os que passaram por nós: gente demais, espaço de menos. Da mesma forma que minha história está repleta de coadjuvantes e figurantes que, irrefletidamente, se auto-proclamavam protagonistas, eu devo ser a personagem cômica da história de alguém. Ninguém se esquiva da experiência constrangedora de bancar o bobo da corte no reino de outro.

Mas esse oco de significado não vem sem um certo pesar. É ruim notar que já não dizemos praticamente nada para quem importou tanto. Na verdade é dolorido ser olvidado: não é fácil encarar que não somos insubstituíveis e que nossa saída displicente abre uma possibilidade de entrada tão desejada por outros. Mas só nos desenroscamos e seguimos nosso rumo natural, em frente, quando eliminamos alguns seres que, caso contrário, nos prenderiam aos emaranhantes aguapés de recordações.

"Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e de dispõe as cores e os cristais do sofrimento" (Paulo Mendes Campos).

O passado deve ser mantido no lugar dele e não trazido nas costas feito mochila de viajante, lotado com os erros cometidos e alegrias jamais revividas. Para ser feliz é necessário pouca coisa além se livrar do excesso de carga e esquecer as coisas certas. É útil também jamais perder de vista um detalhe, afixá-lo no espelho do banheiro, repetir como um mantra: absolutamente nada é pra sempre, nem sentimentos que parecem ser. Nunca mais haverá amor como aquele? Ótimo, porque o novo é tão imenso que seria um desperdício se algo se repetisse.

Todo mundo passa. E é bom que seja assim.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Estórias de Pai e Filha

Minha atual leitura é o livro A Menina que Roubava Livros. A maioria dos comentários que li a respeito do livro falaram, principalmente sobre a narradora da estória - a morte.

Claro que o fato da morte narrar uma estória é realmente algo inusitado. Mais inusitado ainda o fato de ela ser uma excelente narradora!

Mas eu quero falar é a respeito da menina Liesel Meminger que, perdeu tudo que lhe era importante: o irmãozinho - a quem viu morrer nos braços da mãe - e sua mãe que, enfrentando as dificuldades de se viver na alemanha nazista, se viu obrigada a enregá-la a uma outra família.

Confesso que não gostei da parte inicial do livro. A parte onde a nossa amiga morte narra o percurso da menina até sua nova casa e sua família adotiva. Mas então, a estória se enche de beleza, pois a menina Liesel ganha um grande presente em sua vida: seu pai adotivo Hans Hubermann.

A partir daí a ilustre narradora começar a contar-no um pouco da vida cotidiana da menina Liesel, sua infância, sua família adotiva e, com uma bondade inesperada, a morte nos presenteia com lindas narrativas sobre a relação cada vez mais estreita entre pai e filha, entre Liesel e Hans. Ainda estou no início do livro, mas espero que a narrdora saiba conduzir toda a estória com a mesma beleza que tem usado para descrever os momentos de Liesel com seu pai adotivo.

Acho que certos personagens são universalmente tocantes, como a figura de pais e mães, por exemplo. Os momentos de Liesel e Hans lembram-me momentos meus com meu pai em minha infância... A forma paciente como ele faz companhia a ela à noite após os pesadelos, o carinho, as piscadelas disfaçadas...quando ele toca acordeão para ela...Esta última passagem em especial me lemba muito meu pai, que quando eu era criança, sempre cantava pra mim um cantiga engraçadinha assim:

Cabelo loiro vai lá em casa passear
Vai, vai cabelo loiro
Vai cabar de me matar

Estou na sombra da noite
Pensando na luz do dia
O dia inteiro penso estar
À noite em sua companhia

Cabelo loiro vai lá em casa passear
Vai, vai cabelo loiro
Vai cabar de me matar

Você diz que bala mata
Bala não mata ninguém
A bala que mais me mata
É o desprezo do meu bem

Cabelo loiro vai lá em casa passear
Vai, vai cabelo loiro
Vai cabar de me matar

Casa de pobre é ranchinho
Casa de rico é de telha
Se ter amor fosse crime
Minha casa era cadeia

Cabelo loiro vai lá em casa passear
Vai, vai cabelo loiro
Vai cabar de me matar

Quanto mais tu me despreza
A dor no meu peito inflama
Quem eu quero não me quer
E quem eu quero não me ama

Cabelo loiro vai lá em casa passear
Vai, vai cabelo loiro
Vai cabar de me matar

Beija flor que beija a rosaSe despede do jardim
Assim fez o meu amor
Quando despediu de mim

Cabelo loiro vai lá em casa passear
Vai, vai cabelo loiro
Vai cabar de me matar

Engraçado como tudo hoje em dia me lembra meu pai e faz doer em mim as saudades.